Formação de engenheiros ainda tropeça no básico

22-02-2011 10:09

 

Mercado | 21/02/2011 17:20

 Baixa oferta de profissionais faz com que recém-formados cresçam na hierarquia de responsabilidades mais precocemente

 Germano Luders/Exame
 
Trabalhadores da construção civil

Operários trabalham em obra em São Paulo: Jovens engenheiros precisam chegar ao mercado com visão gerencial

São Paulo – Deslumbrados com o aquecimento do mercado da construção, estudantes voltam a se interessar pelo curso de engenharia civil. Mas, de acordo com especialistas, essa procura não será suficiente para resolver o problema da falta de mão de obra no país. Segundo eles, a estrutura deficiente do sistema de educação básica do Brasil ainda deve assombrar o setor por algum tempo.

José Roberto Cardoso, diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), estima que apenas ¼ dos engenheiros deixam a faculdade com as habilidades necessárias para atender as demandas do mercado. “Há muito engenheiro que chega ao mercado sem ter domínio de uma língua estrangeira ou que não sabe escrever um relatório de maneira concatenada”, afirma o diretor.

O descompasso entre formação educacional básica e as necessidades do setor pode ser percebida já durante o período de graduação. Em média, segundo cálculos de Marcos Formiga, coordenador do projeto Inova Engenharia da CNI/SENAI, os brasileiros demoram sete anos para concluir o curso de engenharia – dois a mais que o previsto pela grade curricular das faculdades.

Isso quando os alunos conseguem concluir o curso. Em 2008, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), 467.346 estudantes se matricularam na área de engenharia em escolas federais, municipais, estaduais ou privadas no Brasil. No entanto, apenas 47.098 concluíram a graduação naquele ano.

“A evasão dos cursos de engenharia é fruto da baixa qualidade do ensino das disciplinas como Física, Química e Matemática no Ensino Médio”, afirma Cardoso. “Os alunos chegam sem condições de acompanhar as disciplinas básicas das engenharias”.

Mercado
Por outro lado, os engenheiros recém-chegados ao mercado precisam enfrentar um cenário de responsabilidades muito mais intenso do que o vivenciado por seus atuais veteranos há algumas décadas.

Os ciclos econômicos do país justificam esse problema. “O país não teve um desenvolvimento contínuo. Ao longo de toda a década de 80 e 90, as grandes obras foram quase inexistentes. Por isso, muitos engenheiros migraram para outras áreas”, diz Caio Arnaes, consultor

Fonte:Exame.com